terça-feira, 8 de março de 2016

O amor de cada um


Alguns deixaram saudades 
Da brevidade da existência, 
E mesmo com qualidades 
Ou em meio a defeitos 
Estabeleceu-se a falta 
A martelar a consciência.
A vontade atormentada diz:
Deveria ter aproveitado mais 
Nosso tempo disposto feliz 
Ou não deveria ter sido rude 
Não ter dito Odeio 
Ter vivido a plenitude, 
Pra amar direito.
Mais amável e compreensível 
Traçado o caminho do amor 
Ter sido o melhor possível 
Sem medida e ainda sim maior
Mas a grande verdade da falta 
É não ter aproveitado ao máximo 
É nunca ter saturado 
A vontade de estar junto daquela alma 
E em vida ou na morte 
Saber ter sentido essa ternura 
Contemplar essa sorte 
Ter vivido sem culpa
E somos seres imperfeitos 
Impregnados uns aos outros 
Alguns dizem É um exagero 
Você pode dizer é pouco 
Mas é desse jeito 
O amor de cada um 
A lamentar no peito

Chico Arquiteto

segunda-feira, 7 de março de 2016

Santa Hagda Marinho - da série 'Os Santos'

Giz de cera sobre Canson 140g/m² com aplicação de renda de poliéster aplicado fixador acrílico semibrilho


Poema de amor sentado no vaso


Acende-se um cigarro
Vira a página do livro
Senta-te curvado
Com os olhos compridos
E fita cada palavra
Com o prazer voluptuoso
...
Oh amada
Se soubesse como é desejada
Tanto,  com paixão
Com carinho
com amor
Nas segundas com razão
Que até sentado
No sanitário
Seu admirador canta baixinho
Aflito
E Todo coração
Suspira alto
Pensa que é poeta canário
Mas é apenas um cagão
...


Chico Arquiteto

sexta-feira, 4 de março de 2016

A Beija-Flor, a Beijinha

Beijo matutino
Beijo vespertino
Beijo noturno
Beijo desatino
Beijo gatuno
Roubado rapidinho
Mil beijos ao acaso
E um beijo beijinho
Beijo beijoqueiro
Beijo até sozinho
Beijo em distancia
Com saudades
Com carinho.

Chico Arquiteto - Julho de 2014

Soneto para Michelle Asevedo – Musa do Vila F.C

Flor rara, vermelha flor do cerrado
seu desabrochar é um espetáculo
suas pétalas são suas melenas
bailando a brisa quente e amena

Flor rara, dourada e vermelha
seu sorriso glorioso é uma centelha
sua beleza perpetua é adorável
e seu encanto admirável

Sua intensa energia alva
inspiração, conforto pra alma
sua luz poética é divina

Da natureza és obra prima
e seu nascimento predestinado
é linda, e é musa do meu colorado

Chico Arquiteto - Março 2014




 

quarta-feira, 2 de março de 2016

A flor gaúcha de Sapiranga

Trissexual flor laranja orgânica
espécime singular e preciosa
és da mata atlântica aos pampas
a rosa de Sapiranga mais formosa

Ilex Paraguariensis entorpecida
virtude sua mente sativa libertária
de lingerie sensualidade firma
mas seu sorriso inocência guarda

mulher de luta, feminina és força
ergue sua bandeira, luta & causa
ainda menina, embora já colhida

guerreira de paz, ou luta armada
é prazer meu, em livre democracia
poder chamar a ti de camarada

Para a camarada Francis, com tamanha força impetuosa que tens, que seja agente da revolução (para o bem de todos).

Chico Arquiteto, setembro 14

A Caixa


Nunca use a palavra sabedoria 
Ou a palavra sábio 
Somente os ingênuos e insanos 
Dotados de esperança 
Podem aguentar o fardo 
A esperança é a mãe dos tolos,
e o último mal 
dentro da caixa...

Chico Arquiteto - FEV 2015

terça-feira, 1 de março de 2016

São Pedro Alberto Assis - da série 'Os Santos'

Giz de cera sobre Canson 140g/m² com fixador acrílico semibrilho

As duas baratas


Gregor Samsa e Franz Kafka
Encontraram-se no teto do Dom Guina,
Gregor ficou parado algum tempo
Fitava Ana Lúcia com esmero
Ana observava, bebericava, e ia
E lá estava Franz a fazer-lhe companhia
Estávamos embaixo,
ela falava eu ouvia
Nisso parece que Franz sussurrou para Gregor e
Partiram
Provavelmente foi dito :
De humanidade já bastamos
Ana e eu continuamos
E ríamos
Provavelmente amanhã
Uma barata acordará humanizada
Transmorfoseada em humano
Vestirá suas calças
Fará seus planos
Irá trabalhar...
Eis O grande cidadão do ano


Chico Arquiteto