sexta-feira, 20 de maio de 2016

Sozinho no bar



Fazia tempo que eu não combinava esse encontro 
Te encontrar assim de maneira tão natural 
Ouvindo Beatles,  a banda que a gente Ama odiar 
Como se eu fosse um rato eu como restos 
Igual uma barata circulando sobre os pratos 
E você aí me olhando 
No vidro do relógio 
No espelho 
Na garrafa de vidro 
Eu existo,
Você sabe 
Não é difícil 
Eu sei te amar com desprezo 
Enquanto converso com uma linda mulher 
Sou um fardo pra mim mesmo 
Eu me arrependo dos. Meus erros 
Com muito orgulho 
Ninguém vai me ouvir chorar no banheiro 
Com chuveiro ligado 
Você estará lá 
Pra ver meu triunfo 
Pra ver meu fracasso 
Refletido na lâmina dagua 
Eu tenho medo 
Será que também tenho alma? 

Chico Arquiteto 



sexta-feira, 8 de abril de 2016

Hotel



No quarto dois amantes
o primeiro beijo é discreto
desperta os sentidos
a mulher se exibe
de maneira graciosa
o homem abraça e aperta
enrola-se no seus cabelos
entrelaçam pernas
há algo dele nela
há algo dela nele
como uma só carne
e a pele a arder
queimam as ideias
e o desejo é violento
rompe o espaço tempo
uma só mente
um só corpo
eles sabem que ainda é pouco
há muito mais poesia por aí
pra ser reivindicada
entre quatro paredes
é muita sede
pouca água
acabou o tempo
...
ela vai embora
ele foi embora
o tempo passa
a memoria se fragmenta
é história
ou virou lenda?
duas mentes que pensam
dois corpos que se abraçam
um poema ainda não escrito
no corpo desejado
na mente do aflito


Chico Arquiteto

Canção para a mulher amada

Canção para a mulher amada
retrato expressionista para a mulher amada
mil poemas para a mulher amada
toda arte e poesia para a mulher amada
ah, a mulher amada
sobre a canção
ela não escuta a melodia
da arte é especialista
e faz critica a proporção
os poemas são sem efeito
rasgados ao vento
e embora haja o contrafeito
não há defeito algum com a mulher amada
parece irônico o destino
mas não existe o ente certo ou errado
e sabe o poeta autor de toda poesia
o problema era o homem que era
o não amado autor de elegias


Chico Arquiteto

Vaidade



alcancei mil poemas
com metade Vinicius já era De Moraes
assim me entristeci pela comparação
mas descobrindo muito mais que mil poemas de Mario
sei que ainda posso alcançar Quintana


Chico Arquiteto

Poemas



Poemas não exigem muito esforço intelectual pra compreensão
Poesia é espelho, entende-se o que vê por simpatia, empatia, ou seu antônimos
Sobre a composição exige-se alma muito mais do que currículo
por isso para os amores , os poetas, os músicos, e cozinheiros
escolho de acordo com os sentidos amplos da fisiologia e poesia
para os médicos e engenheiros, continuo a evita-los.


Chico Arquiteto

Um poema para a amiga Dra. Paola Carloni uma 'amante' de poemas.

terça-feira, 8 de março de 2016

O amor de cada um


Alguns deixaram saudades 
Da brevidade da existência, 
E mesmo com qualidades 
Ou em meio a defeitos 
Estabeleceu-se a falta 
A martelar a consciência.
A vontade atormentada diz:
Deveria ter aproveitado mais 
Nosso tempo disposto feliz 
Ou não deveria ter sido rude 
Não ter dito Odeio 
Ter vivido a plenitude, 
Pra amar direito.
Mais amável e compreensível 
Traçado o caminho do amor 
Ter sido o melhor possível 
Sem medida e ainda sim maior
Mas a grande verdade da falta 
É não ter aproveitado ao máximo 
É nunca ter saturado 
A vontade de estar junto daquela alma 
E em vida ou na morte 
Saber ter sentido essa ternura 
Contemplar essa sorte 
Ter vivido sem culpa
E somos seres imperfeitos 
Impregnados uns aos outros 
Alguns dizem É um exagero 
Você pode dizer é pouco 
Mas é desse jeito 
O amor de cada um 
A lamentar no peito

Chico Arquiteto

segunda-feira, 7 de março de 2016

Santa Hagda Marinho - da série 'Os Santos'

Giz de cera sobre Canson 140g/m² com aplicação de renda de poliéster aplicado fixador acrílico semibrilho


Poema de amor sentado no vaso


Acende-se um cigarro
Vira a página do livro
Senta-te curvado
Com os olhos compridos
E fita cada palavra
Com o prazer voluptuoso
...
Oh amada
Se soubesse como é desejada
Tanto,  com paixão
Com carinho
com amor
Nas segundas com razão
Que até sentado
No sanitário
Seu admirador canta baixinho
Aflito
E Todo coração
Suspira alto
Pensa que é poeta canário
Mas é apenas um cagão
...


Chico Arquiteto

sexta-feira, 4 de março de 2016

A Beija-Flor, a Beijinha

Beijo matutino
Beijo vespertino
Beijo noturno
Beijo desatino
Beijo gatuno
Roubado rapidinho
Mil beijos ao acaso
E um beijo beijinho
Beijo beijoqueiro
Beijo até sozinho
Beijo em distancia
Com saudades
Com carinho.

Chico Arquiteto - Julho de 2014

Soneto para Michelle Asevedo – Musa do Vila F.C

Flor rara, vermelha flor do cerrado
seu desabrochar é um espetáculo
suas pétalas são suas melenas
bailando a brisa quente e amena

Flor rara, dourada e vermelha
seu sorriso glorioso é uma centelha
sua beleza perpetua é adorável
e seu encanto admirável

Sua intensa energia alva
inspiração, conforto pra alma
sua luz poética é divina

Da natureza és obra prima
e seu nascimento predestinado
é linda, e é musa do meu colorado

Chico Arquiteto - Março 2014




 

quarta-feira, 2 de março de 2016

A flor gaúcha de Sapiranga

Trissexual flor laranja orgânica
espécime singular e preciosa
és da mata atlântica aos pampas
a rosa de Sapiranga mais formosa

Ilex Paraguariensis entorpecida
virtude sua mente sativa libertária
de lingerie sensualidade firma
mas seu sorriso inocência guarda

mulher de luta, feminina és força
ergue sua bandeira, luta & causa
ainda menina, embora já colhida

guerreira de paz, ou luta armada
é prazer meu, em livre democracia
poder chamar a ti de camarada

Para a camarada Francis, com tamanha força impetuosa que tens, que seja agente da revolução (para o bem de todos).

Chico Arquiteto, setembro 14

A Caixa


Nunca use a palavra sabedoria 
Ou a palavra sábio 
Somente os ingênuos e insanos 
Dotados de esperança 
Podem aguentar o fardo 
A esperança é a mãe dos tolos,
e o último mal 
dentro da caixa...

Chico Arquiteto - FEV 2015

terça-feira, 1 de março de 2016

São Pedro Alberto Assis - da série 'Os Santos'

Giz de cera sobre Canson 140g/m² com fixador acrílico semibrilho

As duas baratas


Gregor Samsa e Franz Kafka
Encontraram-se no teto do Dom Guina,
Gregor ficou parado algum tempo
Fitava Ana Lúcia com esmero
Ana observava, bebericava, e ia
E lá estava Franz a fazer-lhe companhia
Estávamos embaixo,
ela falava eu ouvia
Nisso parece que Franz sussurrou para Gregor e
Partiram
Provavelmente foi dito :
De humanidade já bastamos
Ana e eu continuamos
E ríamos
Provavelmente amanhã
Uma barata acordará humanizada
Transmorfoseada em humano
Vestirá suas calças
Fará seus planos
Irá trabalhar...
Eis O grande cidadão do ano


Chico Arquiteto

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Nunca se Desfaça/Envilescida / ou poema infinito de reflexão de moral baixo

Não doe seu Carlos Drummond de Andrade
Porquê amou imprudentemente inerte em vaidade


Não se case com o amor da sua vida
Se não houver honra na chegada ou partida


Não ame todo dia em demasia
Se o amanhã não for nada e toda ventura esquecida


Não tenha ciúmes da carne magra
Se a boca que beija é a boca que ladra


Não acredite em nada e Afaste-se dos amigos
Se a companhia despreparada desconhece seus vícios


Não seja ansioso pela repetição
Nasceu Cresce e morrerá por maldição


...

E Se um dia estiver triste em desilusão
Pronto pra fugir,  desistir com ingratidão
Não seja você,
Meu camarada,
o interlocutor dessa oração


Chico Arquiteto

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Anímico



Nos entregamos a carne
Mas não saciamos o espírito
"Eu beijo a porta de todos os hospícios "
Não te encontro em nenhuma parte

onde há saudades há fogo
se é vaidade também é fé
enquanto pensamos um no outro
a consciência atormenta o corpo
no significado do homem e da mulher

se existe amor é cor
e o sentimento é sinestesia
o sabor é iridescente
mistério, céu, e magia
e eu sou metade cético
metade loucura e alegria

as vezes as palavras tornam-se vazias
é quando a inteligência perde pra consciência

a consciência nos afasta 
meus versos repetitivos 
e os versos perdidos
já não fazem sentido
armado eu fico mais engraçado
mesmo não fazendo sentido os quadros

Entre um trago e outro de cerveja
existe conteúdo a ser debatido
tudo é uma beleza
e os desenhos são coloridos

dança uma nação
disparam fogos de artificio
desejos de felicidade
beijos escondidos
mais uma translação
não há quem desfaça
meu mundo gira
eu fico tonto
eu sou tonto
não vejo graça
é ingratidão?


Chico Arquiteto

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

HAPPENING DE ARTE - JUNHO 2015

Exposição coletiva das obras resultado do HAPPENING DE ARTE, idealizado por Gutto Lemes e realizado pela AGAV. http://www.secult.go.gov.br/post/ver/199231/vila-cultural-tem-tarde-de-desenho-neste-sabado

Chico Arquiteto ao lado de suas obras 



Chico Arquiteto com seus amigos o Fotógrafo Vinicius Schimidt (esq) , o Artista Plástico e Poeta Diego El Khouri, e na ponta direita o Jornalista e Diretor do Jornal O Arauto Almir Luiz.




sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

GATO NA POLTRONA

GATO NA POLTRONA- Formato A5 Técnica mista grafite, caneta esferografica, tinta PVA, lapis de cor, e giz de cera sobre sulfite.

Mulher tristeza


Não é comum ver no bar
Uma bela mulher sozinha a beber
Quando acontece é problema
Eu assisti ela entrar
Pedir uísque,
rímel borrado
Sorriso falso
Voz embargada
Ao perguntar :
Que horas são?
Com relógio à mão
(Ela precisava conversar)
Me levantei
Fui em sua direção
Ela olhou pra mim
Éramos espelhos
Houve uma certa fixação
Contornei e peguei no bar
Mais uma cerveja,
Eu gosto das loucas
Com problemas
Do tipo que falam
E bebem sem parar,
Mas acabo junto com as normais
Bem adaptadas
Dou sorte ou azar?
Disse são vinte e duas
E fui pra minha mesa,
Hoje não formaremos par
Hoje é noite de concentração
Destilar os problemas
e beijar a solidão

Chico Arquiteto

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

A mulher desejada



A mulher desejada está no céu
é celeste, imaculada
dito isso não há mais nada
e nada mais foi dito
passaram-se anos 
e a mulher errada
parecia agraciada
com talentos
muitos
tantos
que coube a essa mulher
MULHER
Ó MULHER
dar a origem do mundo
(COUBERT)
e o homem nasceu
MUNDANO
IMUNDO
querendo a mulher desejada
e pedindo benção pra sua avó
sua mãe
beijando a mão da irmã
a face da prima
e a boca da mulher amada
essa
mulher errada
provocativa
libidinosa
voluptuosa
esguia
prosa
faceira 
mulher
sereia
encanta e mata
...
o amor é um erro
se errar é humano
ERREMOS!!!
o amor é tudo o que temos


Chico Arquiteto

Pornô Poesia



Nadando nu na cobertura do Bueno
embriagado na infame noite adentro,
ou em Copacabana madrugada afora
ora no parque Flamboyant na aurora
as vezes ao relento com 'as coisa' a mostra

Corro nu por que nasci nu
nado nu para me sentir livre,
e quem nunca adorou-se corpo nu
deve ser alguém mais triste

Aprecie primeiro a maresia
E a sua própria nudez só, ou em companhia
depois contemple a poesia nu do outro
com maestria, com maestria

E antes que alguém deflagre e o julgue culpado
corra mais uma vez nu desvairado
sinta suas partes livres a balançar
“no doce balanço a caminho do mar”...

Chico Arquiteto

Cristalização


Quando? Se o agora é urgente?
vontade é fogo
A alma inconsequente
Falta atenção
A química é delicada
O tempo é precioso
Meu processo
é filosófico metafísico
Poesia é mineralização
-Descobri esses dias -
E o vislumbre do seu sorriso
É agora atração
Pode vir a ser distração
Dissolução
E Extinguir rapidamente
E mesmo latente
Virará consternação
E não adianta ser sagaz
É capaz de esquecer
A vida é fugaz
A eterna insatisfação
de ser

Chico Arquiteto

Um cínico aventureiro

Ela só tem um senão
Se não for problema
É um tesão de amor,
Senão é um dilema
Haja pena
Haja pena
Haja humor

Chico Arquiteto

Prolixo onde couber


na poesia é exagero de sentimentos
chamamos de piegas
na advocacia é exagero de tratamento,
na cortesia do jogral nas artes cênicas
ainda é indecência, dramatização
Faz-se necessário?
Um mundo exagerado
em profusão
...
Chico Arquiteto

Sentado


Conto os azulejos
Olho a torneira
Conto o gotejar
Assisto a barata
desfilar
Dum lado para o outro
É gregor samsa,
Eu suponho,
E agora ele dá um mortal
Gira, piruetas
Abre as asas
Como um anjo do inferno
Emergido do ralo
Eu não me movo
Tenho cuidado
Ela sobe em meu pé
E faz um grand plie do Balé
Eu olho pra cima
A luz Ofusca
Quando procuro Samsa
Ele já foi embora
Duzentos e setenta e dois azulejos
Mil e oitenta e seis gotas
Mil e oitenta e sete
Mil e oitenta e oito
...
Chico Arquiteto

"Quero que ele fique longe"


A violência se arrastava por anos
e o algoz pedia perdão
você dizia: eu perdoo
acreditando na promessa ilusão,
mas o medo apagava o fogo
e era só escuridão
um dia
outro dia
dia após o outro
sem haver resolução
arriscou ser livre
(da coisa humana mais nata é a percepção)
mas a vida é inesperada
e o que era companheiro tornou-se prisão
para mente,
para o corpo,
pra alma,
e gritava socorro
a duros golpes de facão
dizia ele perdão
ela dizia eu perdoo
e falecia mais um pouco
sangrando pelo chão
e já estava em pedaços
quando o horror
do macho, falo, bárbaro
empertigou-se no ato
de ceifar seus pés e mãos
voce chora?
voce chora?
o que faz agora?
quando corta a carne
quando sangra um irmão
???
e eu
eu não posso perdoar
eu não posso punir
eu só posso chorar
enquanto o diabo sorri
eu não posso acreditar
nesse mundo que diz eu te amo, e fala de amor
mas todo dia no noticiário é apenas tristeza e horror.
-Um poema pra Gisele Santos, 22 anos, mãos e pés decepados pelo seu cônjuge.

Chico Arquiteto

Sociedade amorosa


Quem mais fala de amor
é quem mais precisa dele,
talvez seja necessário inventar o amor
por bem então,
e talvez seja necessário inventar uma nova sociedade
pra desfrutar dessa nova invenção

Chico Arquiteto

Um poema ha muito tempo não escrito


Pra falar de amor
pra falar de pecado
faz tempo que nos repetimos
procurando um no outro
algum culpado,
portanto deixo de lado a vaidade
digo te amo
peço desculpas
eu sinto saudades

Chico Arquiteto

O amor de cada um


Alguns deixaram saudades
Da brevidade da existência,
E mesmo com qualidades
Ou em meio a defeitos
Estabeleceu-se a falta
A martelar a consciência
A vontade atormentada diz:
Deveria ter aproveitado mais
Nosso tempo disposto feliz
Ou não deveria ter sido rude
Não ter dito Odeio
Ter vivido a plenitude,
Pra amar direito
Mais amável e compreensível
Traçado o caminho do amor
Ter sido o melhor possível
Sem medida e ainda sim maior
Mas a grande verdade da falta
É não ter aproveitado ao máximo
É nunca ter saturado
A vontade de estar junto daquela alma
E em vida ou na morte
Saber ter sentido essa ternura
Contemplar essa sorte
Ter vivido sem culpa
E somos seres imperfeitos
Impregnados uns aos outros
Alguns dizem É um exagero
Você pode dizer é pouco
Mas é desse jeito
O amor de cada um
A lamentar no peito

Chico Arquiteto

Poeminha alcoólico


Uma dose
Dois tragos
Cerveja pra todo lado
Garrafas decoram
A prosa e a poesia nossa
o bar
É lar
Ébrio e fluido
Falantes e solúveis
Sem problemas
Acima dos quinze
Cantando na mesa
Coisas possíveis
Existe a beleza
Da falta de certeza
O medo puro
Não alienado
Desprendido
Ousado
De ser autêntico
De ser você

Chico Arquiteto

Pai afasta de mim


Quando criança acordava
Com o rádio relógio às cinco e meia
Com frequência tocava a canção do Chico
A martelar minha cabeça
Cálice - Cale-se - Cálice - Cale-se - Cálice
E eu ficava louco
Aos cinco anos de idade
Aos cinco e pouco
Tomava banho
Calça jeans miniatura
Era eu uma criatura
Pequena a despertar
Vestia uma camisa azul
Que dizia Escola Reunida
Tenda do caminho
E seguia pra aprender
Com meus sapatos
Que eu ainda não sabia fazer o laço
Uma alma bondosa me beijava
Pra se despedir até o almoço
Uma alma bondosa me guiava
Até um certo ponto
Estudava na Vila Nova
Na minha cabeça pequena
Da infância
Era do outro lado da cidade
E dentro do corcel
Do fusca
Ou da lambreta vermelha
Ia o pequeno eu
Aprender a coisa toda
Estudos sociais
Matemática
Português
Educação física
Artística
E não sei mais o que
Fazia as cousas
Bem mandado
Sem entender o porquê
Mais um humano alienado
Era eu
Um pequeno menino
E era tímido
Você pode duvidar
Mas desde pequenino
Não gostava das crianças
E alguns ficavam a me importunar
Tão pequeno
Tão fraco
Tanto medo
E meu Cabelo de lado
Penteado com esmero
Era um pequeno anjo sem asas
Chorava a toa
Mas aproveitava a vida
Em meio a dificuldades
Que eu não entendia
A vida era boa
E eu não sabia.

Chico Arquiteto -

O primeiro raio de sol da manhã


A vida repete...
Coloco ração pros gatos
Eles se apetecem
Em seus olhos fendas brilhantes
Verdades e fatos
Eles agradecem
Desejando bons dias,
Faz sentido acordar
Pra esse bom dia
Por esse olhar
Pra essa vida
Despertar pra essa realidade
Sem igual
Digo:
Bons dias, Pequena
Bons dias, Miau

Chico Arquiteto

Poeminha de fim de tarde


Sinto saudades
Você pode até duvidar
Mas adoraria ter você
Pro café
Pro almoço
E pro jantar
Pra uma vida toda
Enquanto ela durar
Pode parecer piegas
Mas quem não é
Quando está a desejar?

Chico Arquiteto

'Abre los ojos '


Não conversávamos muito
Tudo que conhecíamos
Um no outro
Era o que se via,
E assistindo cada dia
Sem perceber o tempo passar
Descobri que a poesia
Estava no olhar...
Do carinho a reprovação
E os olhos são espelhos
(li por aí)
E a vontade são teus beijos
Mesmo em sinestesia
Com risco de desilusão
Você e eu sabíamos
Estávamos em rota de colisão

Chico Arquiteto

Os problemas menores, cada vez mais clichês


Parte 1
Todos estão continuando suas vidas,
Nesse momento você está continuando a sua
Com algum valor, sentido, e propósito,
Fazendo planos
Quebrando o ócio
...
É horrível conhecer somente nossa humanidade
Incumbida
De responder os porquês da vida
Parte 2
Amor?
Trabalho talvez?
O tudo e o nada
Um resultado provável
Da sua altivez?
A vida superestimada
Cheia de porquês

Chico Arquiteto

o pior de mim - parte 3


quando a decência tange a loucura
um anjo no céu fulgura
pro homem na terra a cura
pra nós dois
tudo está errado
sabe... não existe meio pecado.

Chico Arquiteto

O pior de mim – parte 2


O universo parece articulado
E embora de maneira ínfima
As coisas acontecem
com algum proposito
ou a deriva no caos
no caos: medo ou desprendimento
no proposito: terror, ou aceitação
você e eu estamos além
com o pior de nós
fazendo tão bem

Chico Arquiteto

Causa e efeito


Esteja pronto pra dançar
Dance sem som
Quem está a olhar?

Azha Tafk

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Ébrio


Existe uma beleza fundamental na distância
existe uma razão recíproca no silêncio
há frivolidade com o passar do tempo
há desamor em desconcerto
Anestesiar-se é preciso

Chico Arquiteto

Arte, Amor, carinho, paz,


Os poemas mais interessantes e divertidos
dificilmente são escritos, ou quando escritos
não são compartilhados
a maioria dos leitores preferem os poemas que falem de amor
essa sociedade que tanto é violência
tem coração mole,
gostam de poemas com palavras de amor, carinho
ou qualquer coisa que console
os melhores poemas nunca são escritos
a poesia verdadeira só pode ser sentida
nunca ensinada,
mas sempre aprendida.

Chico Arquiteto

Cerveja Bonita


sentir-se especial, todos gostam
ironicamente fazem isso sendo iguais ao seu meio de respaldo social
Cervejas especiais
vinhos especiais
carro especial
roupa especial
comida especial
bolo espacial
gourmet
sommelier
especialista pra te atender
sentir-se especial
a gente gosta
sendo igual
com a barriga cheia de bosta

Chico Arquiteto

Aliados


A tristeza
A cerveja
A prosa
A mesa

A música
As luzes cintilantes
Os transeuntes
O movimento da cidade

O costume
A caneta
O papel
às vezes o cigarro

A caminhada
O percurso
E a noite estrelada

E ao fim do dia
Do trabalho
A cama recebe
O corpo cansado
Existe uma alma
A poesia é minha aliada.

Chico Arquiteto

Inflexões matinais


I
Impetuosos!
Odeio os mais novos
Reacionários!
Odeio os mais velhos
Odeio principalmente minha geração
Geração meio termo

II
O tempo em retalhos
ocioso é desorganizado
Precioso é superestimado
Cada segundo contado
Deitado ao seu lado
As vezes é longo
Às vezes é chato
Outrora é pouco
Eu sou um coitado

III
Falta
Sobra
Olha as horas
Custou um vintém
Quanto tempo falta?
Quanto tempo tem?

IV
O tempo é finito
O tempo de Einstein num ponto
E o seu tempo
No intervalo da vida

V
"Carpe Diem "
"Memento Mori"
Destino e sorte?
Com razão ou sem?

Chico Arquiteto

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Transar por educação

Com licença, aceita um minete? 
Um ménage, por favor 
Me perdoe pingar as velas 
Sou meio sadô-masô
Obrigado por gozar
Gentileza sua 
Vamos testar o kama-sutra? 
Mais uma vez? 
Duas, ou três?
Lamento, mas tenho que ir 
Agendaremos outra vez 
Me liga? 
Claro! 
Beijo de despedida 
Monsieur, 
Senhorita 
Obrigado pela cortesia.

Chico Arquiteto

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Iridescência

Flagro-me sentindo falta
É tesão latente
e/ou  refugo da alma?
E digo: não existe amor
Mas é tanta cor
Iridescente
Que cogito acreditar
Ao menos esteticamente
Que todo esse furor
Deva ser encantamento
(ilusão ou magia?)
é fogo
Flameja com maestria
És portanto regente
Incandescente
Nesse momento
De toda minha poesia


Chico Arquiteto

Agora eu entendo (eu suponho)

Deus é o movimento Volátil das possibilidades em sonho
Por isso deus é a vaidade
Do acreditar e fé de cada um
Deus pra mim não há
O que você chama de deus
Eu chamo de caos
O anti-eu
para além do bem e do mal


Chico Arquiteto

HOMEM AMARELO

HOMEM AMARELO - Tamanho A6 - Técnica mista entre lapís aquarela, giz de cera, hidrocor, caneta esferográfica, e grafite sobre sulfite 75g/m².

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Ano novo com nomes

Não leve a sério
os desejos genéricos:
felicidade blah
amor blah
paz blah
prosperidade blah
blah blah blah blah

eu desejo a ti
-interlocutor onisciente-
características valorosas
é dito o bom caráter
as boas características
os bons caracteres:

que seja Schmidtiano
sua capacidade de mudar

que seja Nayanefreitista
que possui a paciência pedroalberteriana e seja disciplinada

Que seja Anasabista
seu controle e organização

Que seja Hagdariana
sua impetuosidade decente

Que seja Pedroalberteriano
sua paciência e simpatia

Que seja Brunopenasto
sua convicção e veemência

Que seja Karolpenasta
na sua alegria

Que seja Leandronunista
sua consciência de cessar

Que seja Cristianocesista
e aproveite a vida

que seja LucasMarquista
em seu pragmatismo

Que sejas Curtmoraesista
e torne o que lhe faz mal um aliado

Que seja Fernandoreiista
sua condolência e carisma

mas
Que não sejas  aleixista
e não repita os mesmos erros

que nunca seja vitornadlerista
e cante antes da vitória

que não sejas heitormirandista
e descanse enquanto os inimigos não esquecem

que não sejas carneiriano
e não saiba diferir as amizades

que não sejas orrista e themerista
ao escrever bobagens numa carta 'secreta' aberta ao publico

e que não sejas paulovictorista
e assuma seus acertos em tempo

que todos seus inimigos pereçam pela espada
que os seus desafetos sejam humilhados
e que você tenha o poder de ser agente da propria mudança
que você seja a mão que segura a espada
que você seja a própria espada
e nunca seja a vitima

e que jamais
nunca em sua vida
seja
maconhista


Chico Arquiteto


Clarice Lispector sentada na poltrona Mole de Sérgio Rodrigues

não era austeridade
mas falava a sério
semblante fechado
tristeza ou descaso?
tédio?
enquanto ela falava
com seu sotaque
'pernambuco-ucraniano'
eu escutava
repartia planos
o estranho
e o estrangeiro,
meu entendimento era metafísico
o que ela dizia eu ouvia
se entendia, me calava
sinestesia
caso contrário eu ria (enfim)
-de nervoso-
parece que ela falava olhando pra mim.

Chico Arquiteto