quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

"Quero que ele fique longe"


A violência se arrastava por anos
e o algoz pedia perdão
você dizia: eu perdoo
acreditando na promessa ilusão,
mas o medo apagava o fogo
e era só escuridão
um dia
outro dia
dia após o outro
sem haver resolução
arriscou ser livre
(da coisa humana mais nata é a percepção)
mas a vida é inesperada
e o que era companheiro tornou-se prisão
para mente,
para o corpo,
pra alma,
e gritava socorro
a duros golpes de facão
dizia ele perdão
ela dizia eu perdoo
e falecia mais um pouco
sangrando pelo chão
e já estava em pedaços
quando o horror
do macho, falo, bárbaro
empertigou-se no ato
de ceifar seus pés e mãos
voce chora?
voce chora?
o que faz agora?
quando corta a carne
quando sangra um irmão
???
e eu
eu não posso perdoar
eu não posso punir
eu só posso chorar
enquanto o diabo sorri
eu não posso acreditar
nesse mundo que diz eu te amo, e fala de amor
mas todo dia no noticiário é apenas tristeza e horror.
-Um poema pra Gisele Santos, 22 anos, mãos e pés decepados pelo seu cônjuge.

Chico Arquiteto

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