quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

HAPPENING DE ARTE - JUNHO 2015

Exposição coletiva das obras resultado do HAPPENING DE ARTE, idealizado por Gutto Lemes e realizado pela AGAV. http://www.secult.go.gov.br/post/ver/199231/vila-cultural-tem-tarde-de-desenho-neste-sabado

Chico Arquiteto ao lado de suas obras 



Chico Arquiteto com seus amigos o Fotógrafo Vinicius Schimidt (esq) , o Artista Plástico e Poeta Diego El Khouri, e na ponta direita o Jornalista e Diretor do Jornal O Arauto Almir Luiz.




sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

GATO NA POLTRONA

GATO NA POLTRONA- Formato A5 Técnica mista grafite, caneta esferografica, tinta PVA, lapis de cor, e giz de cera sobre sulfite.

Mulher tristeza


Não é comum ver no bar
Uma bela mulher sozinha a beber
Quando acontece é problema
Eu assisti ela entrar
Pedir uísque,
rímel borrado
Sorriso falso
Voz embargada
Ao perguntar :
Que horas são?
Com relógio à mão
(Ela precisava conversar)
Me levantei
Fui em sua direção
Ela olhou pra mim
Éramos espelhos
Houve uma certa fixação
Contornei e peguei no bar
Mais uma cerveja,
Eu gosto das loucas
Com problemas
Do tipo que falam
E bebem sem parar,
Mas acabo junto com as normais
Bem adaptadas
Dou sorte ou azar?
Disse são vinte e duas
E fui pra minha mesa,
Hoje não formaremos par
Hoje é noite de concentração
Destilar os problemas
e beijar a solidão

Chico Arquiteto

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

A mulher desejada



A mulher desejada está no céu
é celeste, imaculada
dito isso não há mais nada
e nada mais foi dito
passaram-se anos 
e a mulher errada
parecia agraciada
com talentos
muitos
tantos
que coube a essa mulher
MULHER
Ó MULHER
dar a origem do mundo
(COUBERT)
e o homem nasceu
MUNDANO
IMUNDO
querendo a mulher desejada
e pedindo benção pra sua avó
sua mãe
beijando a mão da irmã
a face da prima
e a boca da mulher amada
essa
mulher errada
provocativa
libidinosa
voluptuosa
esguia
prosa
faceira 
mulher
sereia
encanta e mata
...
o amor é um erro
se errar é humano
ERREMOS!!!
o amor é tudo o que temos


Chico Arquiteto

Pornô Poesia



Nadando nu na cobertura do Bueno
embriagado na infame noite adentro,
ou em Copacabana madrugada afora
ora no parque Flamboyant na aurora
as vezes ao relento com 'as coisa' a mostra

Corro nu por que nasci nu
nado nu para me sentir livre,
e quem nunca adorou-se corpo nu
deve ser alguém mais triste

Aprecie primeiro a maresia
E a sua própria nudez só, ou em companhia
depois contemple a poesia nu do outro
com maestria, com maestria

E antes que alguém deflagre e o julgue culpado
corra mais uma vez nu desvairado
sinta suas partes livres a balançar
“no doce balanço a caminho do mar”...

Chico Arquiteto

Cristalização


Quando? Se o agora é urgente?
vontade é fogo
A alma inconsequente
Falta atenção
A química é delicada
O tempo é precioso
Meu processo
é filosófico metafísico
Poesia é mineralização
-Descobri esses dias -
E o vislumbre do seu sorriso
É agora atração
Pode vir a ser distração
Dissolução
E Extinguir rapidamente
E mesmo latente
Virará consternação
E não adianta ser sagaz
É capaz de esquecer
A vida é fugaz
A eterna insatisfação
de ser

Chico Arquiteto

Um cínico aventureiro

Ela só tem um senão
Se não for problema
É um tesão de amor,
Senão é um dilema
Haja pena
Haja pena
Haja humor

Chico Arquiteto

Prolixo onde couber


na poesia é exagero de sentimentos
chamamos de piegas
na advocacia é exagero de tratamento,
na cortesia do jogral nas artes cênicas
ainda é indecência, dramatização
Faz-se necessário?
Um mundo exagerado
em profusão
...
Chico Arquiteto

Sentado


Conto os azulejos
Olho a torneira
Conto o gotejar
Assisto a barata
desfilar
Dum lado para o outro
É gregor samsa,
Eu suponho,
E agora ele dá um mortal
Gira, piruetas
Abre as asas
Como um anjo do inferno
Emergido do ralo
Eu não me movo
Tenho cuidado
Ela sobe em meu pé
E faz um grand plie do Balé
Eu olho pra cima
A luz Ofusca
Quando procuro Samsa
Ele já foi embora
Duzentos e setenta e dois azulejos
Mil e oitenta e seis gotas
Mil e oitenta e sete
Mil e oitenta e oito
...
Chico Arquiteto

"Quero que ele fique longe"


A violência se arrastava por anos
e o algoz pedia perdão
você dizia: eu perdoo
acreditando na promessa ilusão,
mas o medo apagava o fogo
e era só escuridão
um dia
outro dia
dia após o outro
sem haver resolução
arriscou ser livre
(da coisa humana mais nata é a percepção)
mas a vida é inesperada
e o que era companheiro tornou-se prisão
para mente,
para o corpo,
pra alma,
e gritava socorro
a duros golpes de facão
dizia ele perdão
ela dizia eu perdoo
e falecia mais um pouco
sangrando pelo chão
e já estava em pedaços
quando o horror
do macho, falo, bárbaro
empertigou-se no ato
de ceifar seus pés e mãos
voce chora?
voce chora?
o que faz agora?
quando corta a carne
quando sangra um irmão
???
e eu
eu não posso perdoar
eu não posso punir
eu só posso chorar
enquanto o diabo sorri
eu não posso acreditar
nesse mundo que diz eu te amo, e fala de amor
mas todo dia no noticiário é apenas tristeza e horror.
-Um poema pra Gisele Santos, 22 anos, mãos e pés decepados pelo seu cônjuge.

Chico Arquiteto

Sociedade amorosa


Quem mais fala de amor
é quem mais precisa dele,
talvez seja necessário inventar o amor
por bem então,
e talvez seja necessário inventar uma nova sociedade
pra desfrutar dessa nova invenção

Chico Arquiteto

Um poema ha muito tempo não escrito


Pra falar de amor
pra falar de pecado
faz tempo que nos repetimos
procurando um no outro
algum culpado,
portanto deixo de lado a vaidade
digo te amo
peço desculpas
eu sinto saudades

Chico Arquiteto

O amor de cada um


Alguns deixaram saudades
Da brevidade da existência,
E mesmo com qualidades
Ou em meio a defeitos
Estabeleceu-se a falta
A martelar a consciência
A vontade atormentada diz:
Deveria ter aproveitado mais
Nosso tempo disposto feliz
Ou não deveria ter sido rude
Não ter dito Odeio
Ter vivido a plenitude,
Pra amar direito
Mais amável e compreensível
Traçado o caminho do amor
Ter sido o melhor possível
Sem medida e ainda sim maior
Mas a grande verdade da falta
É não ter aproveitado ao máximo
É nunca ter saturado
A vontade de estar junto daquela alma
E em vida ou na morte
Saber ter sentido essa ternura
Contemplar essa sorte
Ter vivido sem culpa
E somos seres imperfeitos
Impregnados uns aos outros
Alguns dizem É um exagero
Você pode dizer é pouco
Mas é desse jeito
O amor de cada um
A lamentar no peito

Chico Arquiteto

Poeminha alcoólico


Uma dose
Dois tragos
Cerveja pra todo lado
Garrafas decoram
A prosa e a poesia nossa
o bar
É lar
Ébrio e fluido
Falantes e solúveis
Sem problemas
Acima dos quinze
Cantando na mesa
Coisas possíveis
Existe a beleza
Da falta de certeza
O medo puro
Não alienado
Desprendido
Ousado
De ser autêntico
De ser você

Chico Arquiteto

Pai afasta de mim


Quando criança acordava
Com o rádio relógio às cinco e meia
Com frequência tocava a canção do Chico
A martelar minha cabeça
Cálice - Cale-se - Cálice - Cale-se - Cálice
E eu ficava louco
Aos cinco anos de idade
Aos cinco e pouco
Tomava banho
Calça jeans miniatura
Era eu uma criatura
Pequena a despertar
Vestia uma camisa azul
Que dizia Escola Reunida
Tenda do caminho
E seguia pra aprender
Com meus sapatos
Que eu ainda não sabia fazer o laço
Uma alma bondosa me beijava
Pra se despedir até o almoço
Uma alma bondosa me guiava
Até um certo ponto
Estudava na Vila Nova
Na minha cabeça pequena
Da infância
Era do outro lado da cidade
E dentro do corcel
Do fusca
Ou da lambreta vermelha
Ia o pequeno eu
Aprender a coisa toda
Estudos sociais
Matemática
Português
Educação física
Artística
E não sei mais o que
Fazia as cousas
Bem mandado
Sem entender o porquê
Mais um humano alienado
Era eu
Um pequeno menino
E era tímido
Você pode duvidar
Mas desde pequenino
Não gostava das crianças
E alguns ficavam a me importunar
Tão pequeno
Tão fraco
Tanto medo
E meu Cabelo de lado
Penteado com esmero
Era um pequeno anjo sem asas
Chorava a toa
Mas aproveitava a vida
Em meio a dificuldades
Que eu não entendia
A vida era boa
E eu não sabia.

Chico Arquiteto -

O primeiro raio de sol da manhã


A vida repete...
Coloco ração pros gatos
Eles se apetecem
Em seus olhos fendas brilhantes
Verdades e fatos
Eles agradecem
Desejando bons dias,
Faz sentido acordar
Pra esse bom dia
Por esse olhar
Pra essa vida
Despertar pra essa realidade
Sem igual
Digo:
Bons dias, Pequena
Bons dias, Miau

Chico Arquiteto

Poeminha de fim de tarde


Sinto saudades
Você pode até duvidar
Mas adoraria ter você
Pro café
Pro almoço
E pro jantar
Pra uma vida toda
Enquanto ela durar
Pode parecer piegas
Mas quem não é
Quando está a desejar?

Chico Arquiteto

'Abre los ojos '


Não conversávamos muito
Tudo que conhecíamos
Um no outro
Era o que se via,
E assistindo cada dia
Sem perceber o tempo passar
Descobri que a poesia
Estava no olhar...
Do carinho a reprovação
E os olhos são espelhos
(li por aí)
E a vontade são teus beijos
Mesmo em sinestesia
Com risco de desilusão
Você e eu sabíamos
Estávamos em rota de colisão

Chico Arquiteto

Os problemas menores, cada vez mais clichês


Parte 1
Todos estão continuando suas vidas,
Nesse momento você está continuando a sua
Com algum valor, sentido, e propósito,
Fazendo planos
Quebrando o ócio
...
É horrível conhecer somente nossa humanidade
Incumbida
De responder os porquês da vida
Parte 2
Amor?
Trabalho talvez?
O tudo e o nada
Um resultado provável
Da sua altivez?
A vida superestimada
Cheia de porquês

Chico Arquiteto

o pior de mim - parte 3


quando a decência tange a loucura
um anjo no céu fulgura
pro homem na terra a cura
pra nós dois
tudo está errado
sabe... não existe meio pecado.

Chico Arquiteto

O pior de mim – parte 2


O universo parece articulado
E embora de maneira ínfima
As coisas acontecem
com algum proposito
ou a deriva no caos
no caos: medo ou desprendimento
no proposito: terror, ou aceitação
você e eu estamos além
com o pior de nós
fazendo tão bem

Chico Arquiteto

Causa e efeito


Esteja pronto pra dançar
Dance sem som
Quem está a olhar?

Azha Tafk

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Ébrio


Existe uma beleza fundamental na distância
existe uma razão recíproca no silêncio
há frivolidade com o passar do tempo
há desamor em desconcerto
Anestesiar-se é preciso

Chico Arquiteto

Arte, Amor, carinho, paz,


Os poemas mais interessantes e divertidos
dificilmente são escritos, ou quando escritos
não são compartilhados
a maioria dos leitores preferem os poemas que falem de amor
essa sociedade que tanto é violência
tem coração mole,
gostam de poemas com palavras de amor, carinho
ou qualquer coisa que console
os melhores poemas nunca são escritos
a poesia verdadeira só pode ser sentida
nunca ensinada,
mas sempre aprendida.

Chico Arquiteto

Cerveja Bonita


sentir-se especial, todos gostam
ironicamente fazem isso sendo iguais ao seu meio de respaldo social
Cervejas especiais
vinhos especiais
carro especial
roupa especial
comida especial
bolo espacial
gourmet
sommelier
especialista pra te atender
sentir-se especial
a gente gosta
sendo igual
com a barriga cheia de bosta

Chico Arquiteto

Aliados


A tristeza
A cerveja
A prosa
A mesa

A música
As luzes cintilantes
Os transeuntes
O movimento da cidade

O costume
A caneta
O papel
às vezes o cigarro

A caminhada
O percurso
E a noite estrelada

E ao fim do dia
Do trabalho
A cama recebe
O corpo cansado
Existe uma alma
A poesia é minha aliada.

Chico Arquiteto

Inflexões matinais


I
Impetuosos!
Odeio os mais novos
Reacionários!
Odeio os mais velhos
Odeio principalmente minha geração
Geração meio termo

II
O tempo em retalhos
ocioso é desorganizado
Precioso é superestimado
Cada segundo contado
Deitado ao seu lado
As vezes é longo
Às vezes é chato
Outrora é pouco
Eu sou um coitado

III
Falta
Sobra
Olha as horas
Custou um vintém
Quanto tempo falta?
Quanto tempo tem?

IV
O tempo é finito
O tempo de Einstein num ponto
E o seu tempo
No intervalo da vida

V
"Carpe Diem "
"Memento Mori"
Destino e sorte?
Com razão ou sem?

Chico Arquiteto

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Transar por educação

Com licença, aceita um minete? 
Um ménage, por favor 
Me perdoe pingar as velas 
Sou meio sadô-masô
Obrigado por gozar
Gentileza sua 
Vamos testar o kama-sutra? 
Mais uma vez? 
Duas, ou três?
Lamento, mas tenho que ir 
Agendaremos outra vez 
Me liga? 
Claro! 
Beijo de despedida 
Monsieur, 
Senhorita 
Obrigado pela cortesia.

Chico Arquiteto

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Iridescência

Flagro-me sentindo falta
É tesão latente
e/ou  refugo da alma?
E digo: não existe amor
Mas é tanta cor
Iridescente
Que cogito acreditar
Ao menos esteticamente
Que todo esse furor
Deva ser encantamento
(ilusão ou magia?)
é fogo
Flameja com maestria
És portanto regente
Incandescente
Nesse momento
De toda minha poesia


Chico Arquiteto

Agora eu entendo (eu suponho)

Deus é o movimento Volátil das possibilidades em sonho
Por isso deus é a vaidade
Do acreditar e fé de cada um
Deus pra mim não há
O que você chama de deus
Eu chamo de caos
O anti-eu
para além do bem e do mal


Chico Arquiteto

HOMEM AMARELO

HOMEM AMARELO - Tamanho A6 - Técnica mista entre lapís aquarela, giz de cera, hidrocor, caneta esferográfica, e grafite sobre sulfite 75g/m².

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Ano novo com nomes

Não leve a sério
os desejos genéricos:
felicidade blah
amor blah
paz blah
prosperidade blah
blah blah blah blah

eu desejo a ti
-interlocutor onisciente-
características valorosas
é dito o bom caráter
as boas características
os bons caracteres:

que seja Schmidtiano
sua capacidade de mudar

que seja Nayanefreitista
que possui a paciência pedroalberteriana e seja disciplinada

Que seja Anasabista
seu controle e organização

Que seja Hagdariana
sua impetuosidade decente

Que seja Pedroalberteriano
sua paciência e simpatia

Que seja Brunopenasto
sua convicção e veemência

Que seja Karolpenasta
na sua alegria

Que seja Leandronunista
sua consciência de cessar

Que seja Cristianocesista
e aproveite a vida

que seja LucasMarquista
em seu pragmatismo

Que sejas Curtmoraesista
e torne o que lhe faz mal um aliado

Que seja Fernandoreiista
sua condolência e carisma

mas
Que não sejas  aleixista
e não repita os mesmos erros

que nunca seja vitornadlerista
e cante antes da vitória

que não sejas heitormirandista
e descanse enquanto os inimigos não esquecem

que não sejas carneiriano
e não saiba diferir as amizades

que não sejas orrista e themerista
ao escrever bobagens numa carta 'secreta' aberta ao publico

e que não sejas paulovictorista
e assuma seus acertos em tempo

que todos seus inimigos pereçam pela espada
que os seus desafetos sejam humilhados
e que você tenha o poder de ser agente da propria mudança
que você seja a mão que segura a espada
que você seja a própria espada
e nunca seja a vitima

e que jamais
nunca em sua vida
seja
maconhista


Chico Arquiteto


Clarice Lispector sentada na poltrona Mole de Sérgio Rodrigues

não era austeridade
mas falava a sério
semblante fechado
tristeza ou descaso?
tédio?
enquanto ela falava
com seu sotaque
'pernambuco-ucraniano'
eu escutava
repartia planos
o estranho
e o estrangeiro,
meu entendimento era metafísico
o que ela dizia eu ouvia
se entendia, me calava
sinestesia
caso contrário eu ria (enfim)
-de nervoso-
parece que ela falava olhando pra mim.

Chico Arquiteto